e(Xtra)mundo

Terra Paralela; nessa órbita fora desse mundo, dessa realidade, aonde vai parar esse vagabundo…

28

de
novembro

anacronismo orgânico

O que os meus olhos vêem

o meu coração muitas vezes suspira;

 

minhas mãos se estremecem

mas muitas vezes querendo perto

minhas pernas me levam ao longe.

27

de
novembro

vida de gado

Tarde tensa, compromisso inadiável, as pernas tremem.

Pergunto se estou OK;

minando o resto que outrora poderia existir, a resposta crível e cruel:

 

 

- com esse boné, você tem mais parecido um retirante.

20

de
novembro

infanta

Para uma menina amiga;
fez 43 anos.

13

de
novembro

virgínia disse

na pele de Nicole Kidman, no filme As Horas;

"não se acha a paz evitando a vida".

11

de
novembro

phoenix

Na realidade não é mais incitar um debate;é mais um desabafo.
Sempre curti muito quadrinhos.Pirralho,ainda na fase comum da época (Disney-Turma da Mônica-Bolinha/Luluzinha),o que caía na minha mão eu lia.Curiosamente,o primeiro gibi de super-herói (que não curtia muito na época),que me lembro ter visto, foi justamente um Almanaque Marvel mezozóico,onde nele tinha uma história onde depois de uma verdadeira pancadaria, uma heroína -bem brava, dava esporros num tal de Wolverine- se sacrifica em nome do afeto dela por seus companheiros;no momento que todos a imaginaram morta,lá que das águas do oceano ressurge ela como uma chama, entoando aquele mantra forte que todo mundo conhece.Anos mais tarde,foi um Superaventuras Marvel #26 que comprei para ler numa viagem de final de ano;a história daqueles tais X-Men era tão estarrecedoramente boa,que de tão impressionante comprei a próxima edição no mês seguinte;e a outro no outro e assim por diante.Começava a Saga (naquela época era assim que a gente falava) do Clube do Inferno;o resto é -literalmente- história(em quadrinhos); dali virei fã,não só do grupo,mas de todo um estilo que convencionou-se chamar de quadrinhos de (super) heróis,as Graphic Novels,mini-séries e tudo no limiar da minha adolescência.Foi tão marcante,que perpetuou meu fascínio por arquétipos e personagens da mitologia,assuntos que fui ler e reler anos mais tarde para ter uma vaga idéia do que se tratava.
Bem, leio muita coisa hoje mais pelo hábito;muita coisa mudou,dentro e fora desse contexto. Mas acho que existe uma idéia errada acerca de alguns pontos,tenho uma certa birra desse lado marketeiro e a necessidade de vender e vender interferindo cada vez mais num reduto que era bem esquecido por tais "necessidades".Tenho birra pelo que se tornaram os X-Men;não dou tanta importância o que dizem do Grant Morrison ter realizado nesse título.Essa roupagem moderna de como abordá-los no século XXI, de que ser diferente é legal, assim como ser escatológico por ser escatológico.Por terem saído do foco original.

Primeiro lugar: não é legal ser Mutante

Nunca foi.Muita gente,muita minoria se identificava com seu aspecto de "gueto", não é o caso.Nunca me imaginei ser um deles,só os achava muito legais e ponto;mas muita gente o fazia, gostava e escrevia zilhões de coisas a respeito.Hoje em dia,no mundo real,mídia divulga que é legal ser "diferente"(então,compre um carro igual a esse).Ser nerd é um barato;alás, tadinho se você não for algum tipo de rotulagem.
Eles eram os eXcluídos dentre os excluídos;não era legal mesmo.A Feiticeira Escarlate era espinafrada,não só por ter um caso com o "robô" Visão,mas essencialmente por ser Mutante.E olha que ela estava nos Vingadores.O mundo mudou e hoje tá no que está,depois de uma década de decadência de qualidade nos textos, Grant Morrinson vem para reacender a idéia do que se trata a revista.E começou muitíssimo bem,devo concordar,mas um detalhe em si estava diferente-o fascínio de querer ser mutante era o subtexto real das histórias,por que um dia o título começou a vender mais do que água.
Mas o caso é Jean,e acho sacanagem com o que fizeram com ela.Deveriam tê-la deixada morta em 86,mas a trouxeram de volta, criaram o X-Factor.Ela assume o arquétipo da mãe(castrada) de Susan Richards;sempre desenhada amparada nos braços de um Scot Summers viril,como que pedindo proteção a ele dos perigos que eles viviam enfrentar.Casa-se com ele.Parece Madre Teresa de Calcutá,sempre acompanhando o prof.Xavier e sua cadeira de rodas,sempre auxiliando algum companheiro em desatino.Mãe,mãezona mesmo;inclusive de dois filhos de dois(?) futuros alternativos.
E o lado red-hot-head?Dark Phoenix foi a explosão passional incontrolável dela, era uma personagem com dimensões divinas;mas era demasiado humana para sê-la,não se lembram?Esse é o conflito básico da personagem.Por isso a atração constante dela por Wolverine,Logan sempre disse que eram parecidos;por serem ambos destemperados.Descontrolada,ela explodiu uma estrela e um planteta com mais de 4 bilhões de seres.Fritou a cabeça do Mestrre Mental e havia matado a Rainha Branca (ou pareceu).

11

de
novembro

phoenix II

Deusa

Tá tudo lá:na apresentação da personagem os 4 elementos,fogo na água,na terra e no ar.Mitologia pura,Jung explica,mas o trabalho de Claremont vive em cima disso.E de La Fontaine,irmãos Grimm,Hans Christian Andersen e tantos outros.Não são novidade nenhuma,são conceitos que se repetem,se reciclam.
Phoenix é uma deusa;se diz difícil escrever sobre isso,por que é difícil escrever sobre alguém que pode fazer quase tudo.Isso num lugar onde cachorros falam,e ir duma dimensão paralela a outra é como passear por quateirões de uma rua.Mas a real era discutir sobre essas capacidades numa pessoa que fosse humana,demasiamente humana.Como qualquer arquétipo,sobre nós mesmos quando nos excedemos em nossas atividades.
No início dos anos 90,tinham muitas histórias secundárias nos gibis extras,annuals,que não obedeciam a nenhuma cronologia,eram situados em momentos diversos na galeria dos personagens,que tornava tudo mais interessante no histórico de cada um deles.Baseados nelas,imaginei uma história que explicaria o porquê de Jean ainda se comportar como fazia,uma super-heroína combatendo vilões no universo Marvel;mesmo ela sendo-não sendo Phoenix,Dark Phoenix,aquele papo todo.Você bêbado bate o carro,mata 3 e no dia seguinte diz:desculpa,mas não fui eu.Foi o meu Eu-bêbado.Não cola, né?
Como telepata psíquica Jean tinha a recordação de tudo o que havia feito;a morte de 4 bilhões de aspargos(como diziam),um rastro de merda.Isso é de enlouquecer;para não fazer isso, ela se dedicava aos outros-para purgar a culpa e ressentimento que sentia,coisas igualmente humanos.Porque sabia que saísse da linha, pirava na batatinha e muita gente pagava o pato.E ela sempre foi passional de cabeça quente;Phoenix,na era Kirby(no #1 deu uma porrada no Hank),namoradeira indecisa.Vai entender paixões,foi ficar com o complicado Mr.Summers,no que resultou num dos amores marginais mais sólidos daquele período.Era difícil ver um amor como aquele;até emocionava.Tudo era feito em nome disso.Na lua,quando ela morreu,foi o nome dele sua última palavra.

Fim do casamento e Ms.Ice-Frost

O segredo dos X-Men era também ser um novelão que se arrastava por anos;na mão de um bom profissional, prato cheio,mas de muitos torna-se irregular.E como numa receita onde muitos botam a mão,a coisa não tem como desandar;claro que tudo ficou muito chato. Aí aparece o "transgressor" Morrison.
Tudo é banal nesse final de primeira década do milênio;tá difícil chocar, inclusive quando o assunto é Sexo.Por que numa era de clones,plásticas,pílulas e photoshop,sexo tem que ser feito,não importa qual seu significado.
Mr.Morrison acertadamente disse que a tônica da equipe sempre teve ele como um de seus elementos implícitos,você pode ver isso só de olhar.Depois de uma década onanista anabolizada como foram os anos 90,tudo já havia sido exaustivamente explorado.Pegamos então alguém aparentemente desvinculado de alguma culpa e moral,que só anda de espartilhos e fosse igualmente provocante e vamos colocar salsa e pimenta nessa soap-opera;nada muito novo,thanks ao hoje esquecido Scott Lobdell e sua Generation X,a verdadeira revolução dos mesmos anos 90-profética.Colocamos como vértice do triângulo amoroso com o casal Summers,do outro lado uma desinteressada e cada vez mais desumanizada (porque se tornava gradativamente mais) "deusa".No centro dele,o realmente complicado Cyclops,que já havia deixado pra trás outra esposa e um filho recém-nascido,e um currículo familiar mais do que problemático (não é a toa sua preferência por mulheres de chicote).
Olha,numa visão orientalista, quem goza de verdade não se comporta de maneira tão cínica;logo,não é tão desvincilhado assim de grilos e ressentimentos.A imagem da Ms.Frost como mulher emancipada,bem como seus semelhantes,é ilusória.Para falar a verdade,quem tá satisfeito nessa área sorri igual criança;muito da divindade estaria até mais próximo disso.E Emma Frost,apesar do espartilho, notoriamente sempre foi mais gelada-como diz seu nome-e sua compulsão pelas mesmas drogas,taras e um cinismo sempre escondendo uma impaciência não-declarada demonstram uma completa frustração disso.

5

de
novembro

phoenix III

Concluindo

Acho,até pelo ritmo,que-já que o assunto é sexo-a passagem de Grant Morrinson e seu legado nos X-Men foi um coito,que prometia ser espetacular,mas foi interrompido; por causa do fim de contrato,por um outro motivo.Do meio de seu período em diante,ele acelerou o que plantava gradativamente,se concentrou somente nos tópicos,finalizou e partiu;matou de novo Phoenix.Cultura Protestante ou não,tirou dela o sexo,mas deixou nela a cabeça quente-ela virou uma espécie de juíza do armagedon celestial.Aliás,não era a única manifestação dessa entidade,no final de seu(a gente fala assim agora) arco.Bem parecido com o que Alan Moore fez há zilhões de anos atrás com o Capitain Britain,Roma,Merlim e o Omniverse;tudo bem,nas artes nada se cria-tudo se inspira.Mas sinto falta dela;não acho que Emma Frost seja melhor do que ela-nos bons roteiros de Joss Whedon,ela é arquetipicamente uma variante da personalidade dela,uma delepata do lado do caolho;só que essa está loira.Um roteirista ruim poderá dizer num futuro próximo que ela seria na realidade Jean reencarnada,que a união nunca teria sido desfeita.E Scott summers é um bundão;um excelente estrategista,mas um bosta n’água;se Jean voltasse,deveria consumar esse tesão com Logan,dar um pé na bunda em Cyclops e cuidar de sua vida.Na minha opinião,ela é uma excelente personagem.Muito mal-aproveitada ultimamente.
Mas se fossem botar para quebrar,trariam de volta os grandes personagens nas grandes tarefas:tem também Storm,deusa das tempestades-já foi até moicana numa época que isso nem sonhava em ser moda,poderia ser qualquer outro;Magneto,com toda sua fúria,rancor e ambivalência.A gente já viu e ouviu falar deles,os viu e ouviu em histórias,atuar e debater sobre questões sobre controle,auto-controle,tolerância e aceitação.Sobre as ações que nos fazem grandes e mesquinhos, como criamos e destruímos,feras e quimeras.Mitos,arquéitpos,semi-deuses;desde o início de nossa cultura,histórias que nos impregnam de inspirações e exemplos, retratam um pouco mais sobre nossas próprias capacidades.

5

de
novembro

cold clock

O Tempo,
muitas vezes mal-vindo
escorre por entre medos
gotejando desperdício;
leva embora consigo
preciosos momentos, dias vividos
quem amamos
quem necessitamos
cores, gestos, odores e ardores
tudo esvaindo
deixando gélido seu espaço físico;
fazendo-me angustiado
presa sob vigília da besta
sabendo estar a espreita
antes do derradeiro ataque consumado.

Desfaz certezas líricas
lançando num desconforto familiar
vivendo por entre frestas
suplicando com profundo ardor
prostando antes dos segundos idos,
como quem pára a roda contínua
eternizando-se num fraterno suspiro frígido.

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