e(Xtra)mundo

Terra Paralela; nessa órbita fora desse mundo, dessa realidade, aonde vai parar esse vagabundo…

26

de
agosto

saltos em sonhos

Salto de sonho em sonho, em busca da realidade que nunca há.

Pílulas que dão sono, tragadas de escapismo. Tudo o que eu quero

é não ser mais aqui em mim.

 

 

Queria um renascer,

outra fase,

um reestart.

 

 

Enquanto o definitivo não vem,

improviso não-existindo; fingindo que engano

meu eu que nunca tem.

 

6

de
agosto

foolthinker

E cá comigo com meus botões, que já nem tenho mais, fico fundindo a cabeça de tanto pensar…

 

 

 

 

 

 

só vale a pena lembrar: quantidade não é qualidade. Excessos podem fazer a alma penar; eu o que diga.

6

de
agosto

platonista

Antes de mais nada;

o bonitão passa, as estações mudam, a gente no final das contas não é mais o mesmo.

Belo mancebo já não é mais aquele; ou melhor dizendo, não é mais só ele…

 

Mudam de acordo com os passos e suas ruas, nas esquinas que não se encontram. Mas surgem mais e mais os belos, de se ver, de se conhecer, surpreender e se admirar.

 

Podem mudar, os perfeitos imperfeitos, indo para onde fôr em qualquer lugar. Mas o platonismo desse idiota vira e mexe teima, insistindo em ficar.

6

de
agosto

chinelo de adonis

Mesmo não conseguindo,

mesmo não me encontrando, ainda que envelhecido,

muitas vezes eu pouso o olhar

 

e ainda gosto;

 

 

na forma, na dobra, no teor e ardor; nas curvas das canelas, das voltas das pernas, tesão do seu frescor. Adoro ver-te,

tua forma se deslocando no ambiente, seu olhar procurando parceria, as formas que desenham tem corpo rijo.

 

Teu pé descalço na sandália branca, frágil e vigoroso. Beleza que faz o tempo parar e a gente carregar tipo de belezura desses por toda uma vida. De querer o que não tem, de descolar um guapo desses, de querer sentir seu beijo, o corpo dele junto ao seu, enroscando-se num longo beijo.

 

De desejar secretamente que um garoto, assim que nem nem você, me olhe no olho e diga coisas que quero tanto.

Como diz a música singela, são tolices que penso sobre você. Mas não me culpe por querer e desejar; dia desses, quem sabe, a gente arruma um jeito de fazer a tolice desse platonismo se realizar…

6

de
agosto

longe mais de tudo

E distante de tanta gente; faz tanto tempo que não me vejo,

que posso dizer que agora já não mais me (re)conheço

6

de
agosto

sem teto nem chão

Estou pedindo

  a tua mão

 

 

E muitos por mim que passam somente enxergam o desprezo e a indiferença;

correm todos atrás de algo

procurando razões justas para suas existências

enfileirados endinheirados adaptados, executivos em passos largos

a subversão do afeto à carne: mais bem quisto é o vil metal, as cifras aplicadas, números de um boletim, especializando-se em serem máquina - peças integrantes da grande roda que gira,

e larga longe quem nela não se aplica; orfãos do destino, perdidos na vida. Sentados na calçadas, esperam na realidade como todos os outros, a nova possibilidade que isso tudo se explica: razão para tanta pose, para tanta fantasia, dos malucos que no decorrer desses anos transformaram a vida toda em abobrinha.

4

de
agosto

frases que eu não queria ter ouvido

-"Por que você não volta para brasília ?", JBarbosa, quando solicitado ajuda para pagar o aluguel.

 

-"Por que não pede ajuda para o seu pai ?", PBley (padrinho e tio), ainda sem conseguir pagar o aluguel.

 

-"Não volte nunca mais para cá; sua família aqui é passado.", idem na mesma data, pensando bem, um aviso ou um pedido, bem capcioso.

 

-"De você não vou nem ao enterro!", badMilton, sempre mostrando ser relativa a palavra paternidade.

 

-"Aí pensei: peraí, esse aí não é meu filho…", idem na mesma data, deixando escapar o que era verdade; não sabia ele que a mentira era o que ele pensava ser verdade e vice-versa.

 

-"Eu quero que os pobres se explodam; por mim, jogava agente laranja em cima de todas essas favelas. É um jeito eficiente desse país eliminar o terceiro mundo e subir direto para o primeiro !", idem na mesma data -  quando dirigia um de seus cinco carros - o BMW, a Toyota, a Mitsubishi ou algum outro que ele esteja comprando nesse exato momento.

 

-"Gosto tanto de você, que mais me parece um pai para mim…", Cleinton, quando confessado uma atração que não era só sexual - e não correspondido.

 

-"Você é tão inteligente, que eu te considero um tio!" Sue Ellen, numa situação semelhante, dando um tiro de misericórdia na já deteriorada auto-estima.

 

-"Não me procure nunca mais!", d.Eva, lembrando que as mães também mentem, machucam, abandonam e até matam. E não falam com seus filhos homossexuais que por ventura possam ser soropositivos.

 

-"eu deveria ter te abortado!", idem na mesma data, numa frase explícita de sua total capacidade amorosa: ou seja, nula.

 

-"Você é um exemplo para todos nós." BBergamini, mostrando que as amizades terminam, muitas vezes por mal-entendidos que nunca se explicam.

 

-"Não foi ao casamento por que estava apaixonado por ele e contra a Grazi…", idem na mesma data, lembrando que o que se pensa muitas vezes nada tem a ver com a realidade; e ainda assim prefere-se justificar com elas.

 

-"Você terá que repetir o exame: não se preocupe, esse tipo de coisa é normal nessas circunstâncias…", uma enfermeira, nos inevitáveis dias que precederam o resultado oficial do exame - positivo.

 

-"você está enfartando há mais de doze horas; se não fizermos nada em quinze minutos, você pode não voltar.", outro médico, durante o infarte, me fazendo refletir em como o tempo é de fato, relativo.

 

-"você é um gênio…", de muitos, sempre me fazendo discordar por não achar a mesma coisa e tendo a estranha sensação que frases assim acabam excluindo ainda mais você do restante das pessoas.

 

-" me ensina a ganhar dinheiro que eu te ensino a amar.", PFreitas, um amigo saudoso que achava que as coisas poderiam ser resolvidas de um modo mais simples.

 

-"quando você foi feito, a natureza estava de mau-humor…", D.Eva, numa de suas inúmeras manifestações de (não)carinho, marcando a ferro e fogo a auto-estima da criança.

4

de
agosto

suspira

Sabe por que é difícil largar um cigarro: por que foi o meio torto de se fazer prevalecer nos dias de hoje o modo introspecto de suspirar.

4

de
agosto

tiozinho

Com esse foram dois: dois moleques, duas crianças. Duas vezes que escutei que parecia um Tio para eles, o quanto eu era legal, mas totalmente desnecessário.

 

Um velho.

4

de
agosto

Sue Ellen

Passou por mim, olhou e disse que não sei; fiquei a ver navios.

Não sabia o que fazer para lidar com esse tipo de situação.

A molecada abaixo de vinte e cinco prima pela inconstância: se jurar de pé junto, no colóquio repetindo palavras enfáticas três vezes, pode anotar - lorota das mais baratas.

Disse que amava um padre; catou e (diz que) comeu meio mundo. Um falo quilometrico, talvez superado pela habilidade de ser dissimulado. Disse ser sensível, mas sensibilidade desse tipo é maior no baixo ventre, no rêgo e entre as pernas. Tudo o que essa molecada mais quer é ter um séquito de adoradores - típico masculino, muito masculino (não importa se afetado ou não - somos todos meninos). Costumam conjugar os verbos apenas na primeira pessoa: tudo eu, meu, eu. Desconhecem os outros nomes, a egolatria chega a ser intoxicante.

 

Chorou no meu colo fingindo desespero; tinha dito antes - e se esquecido, que era uma habilidade notável por parte dele simular choros. Foram duas lágrimas secas.

 

E eu só com meu tesão; que diante da recusa, fez com que caísse em mim e desanuviasse como fumaça. Foi embora e não sei de onde veio, mas fica a pergunta de onde eu estava com a cabeça…

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