18
de
junho
brasinha
O menino age inconseqüente; parece que faz de propósito.
Do alto da cabeça, o olhar analítico quase prevê o que virá em seguida. Na quase-matemática, e diante do inevitável, o que se faz ?
Relaxa e goza; e em se tratando disso, tem tudo a ver. Paciência é que parece insistir em não ter nada a ver.
E que diabos quis eu, nessa de ter deixado (?) me envolver, sentir e gostar; zelar dele feito um colo amigo, e ele olha para mim e me chama de pai. Parece que sou velho, desatualizado demodée. Nunca fez menção elogiosa de nada ao meu respeito e quando próximo disso, mas faz parecer me afastar, me botando em alguma estante, traçando algum simbolismo que essa meninada do séc. XXI parece entender tão bem.
E o que eu entendo daqui é que não estou tão perto assim dele; por vezes, acho que ele nem gosta tanto assim de mim, confirmando o lado risível de que na verdade temos pouco em comum. Ele cai na vida, eu - ultimamente - tenho caído dela. E me machucado além do que imaginaria.
Mas gosto muito mesmo dele; tanto, a ponto de querê-lo ver feliz por fazer as coisas que acha certo. O menino parece um guri que fica feliz e saltitante por que vai ganhar um presente.
Doeu, tem doído. Rejeição afetiva é uma constância, sem fazer dramas.
Mas tem me ajudado a querer coisas, a dar um jeito no que antes nem mexia. A querer que o mesmo sentimento possa surgir e acontecer, do mesmo modo mágico e imprevisível, mas com um cara que pergunte para mim como eu estou.
E que seus olhos se acendam ajudando a iluminar meu caminho.
E nesse caminho, minha jornada, minha caminhada. Significa que devo sair do lugar e rumar, para algum lugar - principalmente algum que tenha o chão mais seguro.
E convenhamos, o saldo final é muito positivo.
Pode não ter quisto; não me acha o tipo. Mas me deu um presente que nenhum outro poderia ter me dado. E da forma que ocorreu, foi preciso e eficiente: acordou um coração adormecido.
Mais do que agradecido, mais um motivo para adorá-lo; e de revanche, por que se tem uma vantagem de ser (um pouco) mais velho, é conseguir enxergar ganhos numa área onde normalmente houve perdas. Por que como vinho, se destila melhor com o tempo.
Rubro, sedoso e vermelho. Como as paixões e o calor; como o afeto e o amor. Como meus olhos vendo sumir, saltitante e brisado, kikando rumo horizonte.
Muito obrigado, garoto.

