e(Xtra)mundo

Terra Paralela; nessa órbita fora desse mundo, dessa realidade, aonde vai parar esse vagabundo…

25

de
fevereiro

parla vista

Olhar nos olhos
é nota dissonante;
sai o verbo das palavras,
intenções não muito veladas,
fala-se da direção tomada,
mas traem os olhos
com sua vista marcada;

o brilho esmaecido dos que falseam,
a cobiça dos sentimentos,
emoções que ao cardia palpitam
e desviam quando não verdadeiros.
Olhar direto no olho d’outro
é navegar num oceano incerto,
é para os que sabem mergulhar em águas profundas,
tomando cuidado para que não se afundem.

Quando cruzares comigo na rua,
toma muito cuidado, é o que digo:
não vá ser mais um desses tolos
e jamais me desvie sua vista.

Os olhos falam mais verdades do que suas palavras.

25

de
fevereiro

do cinza a cor

Por estar
postar
Andar
e nada achar;
Chove e garoa
nessa terra, sem parar.

as manhãs estão cinzentas
tem gente demais dizendo o que devo
e certeza demais faltando.
Sei que posso,
sei que virá;
mas no momento a incerteza impera,
tristeza é geral
e saudade de nem sei o quê
me tira o foco central.

Um desenho para relaxar;

Pois na subversão do pensamento,
não há limites para voar.

8

de
fevereiro

En cruz Ilhada

E no andar dessa vida que segue, embora façamos outros planos, numa encruzilhada se encontram várias linhas. É onde vim parar, embora saiba que provisioriamente.
Ponto de encontro, de restauro, de pouso e repouso, onde muitos se abrigam e se escondem, onde se foge para lugar nenhum. Tem o que bebe o dia inteiro, o outro que mordeu a família; tem aquele que quer o outro, e o outro que persegue a fantasia. O que não quer perder a novela, o que vende peças, o que vende o corpo e o que vende panelas. Há o falastrão e o peão, o lorde e o bufão, e todos ali dormem, em horários distintos, sobem e descem escadarias desconectadas. Fumam baseado na de pedra, rezam na da igreja montada.

E sonham.

Não é Delirium - abro os olhos e ouço coisas novas, gente que nunca vi, jamais iria perceber e conhecer. Vida estranha e soberana, lá no canto escuro habita a Morte. Do outro lado, entre as frestas, o Desespero - mas permeando todos os suspiros, e seus olhares, o Desejo.

Não, não é um lugar onde haja mal. Para falar a verdade, um abrigo para a humanidade, para lições sábias e valiosas, rapazes ali, todos meninos. E tudo ali é tão breve…

E lá eu sou o mais velho, pode ?

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