Naquela terra paralela, a essa hora chego no meu apartamento.
Não é grande, nem pequeno. É do meu tamanho.
Foi uma ajuda, abençoada - devo dizer - que um coração benéfico de meu pai, que dessa vez cumprira suas incontáveis promessas no decorrer de anos, de me ajudar a arrumar um lugar, para repousar após um dia de trabalho, descansar os pés e o corpo depois de tanto caminhar.
Nessa terra paralela, ele não tem um coração de pedra.
Nem urubus ambiciosos (três, sempre de número três) voando em torno dele, arrancando-lhe a fé e gentileza, impedindo o cardia bater de tanta cobiça.
Nessa terra, aliás, ele está casado com uma esposa cujo o nome ele possa pronunciar. Ela sorri afável, mesmo quando não sabe o que falar.
É gentil e graciosa, sorri mostrando verdadeira alegria. E não morreu de tristeza, arrancada por uma ventania.
Por causa dela, ele cresce e floresce - quer o bem, agir e saber construir. Não se enclausura, não acumula, não tem usura e nem teme a sombra do próximo, sabe sorrir de verdade.
Coração florido e úmido quer ser gentil e germinar, como terra fértil. Não seca e quer a usura, vingança contra fantasmas que nem existem. Nessa terra paralela, não há falsas filhas que cospem em seu prato de comida, nem falsos filhos para fingir um sentimento. Tem esposa que compadece, comparece e com ele cresce.
Nessa terra paralela, meu pai aprendeu que se a gente se doar, a gente é mais feliz.