Casualmente nos encontramos; eu, supreso por te ver. Ele, confuso e meio aéreo, pela bebida sorvida entre amigos, ainda há pouco durante o almoço.
Postei-me a sua frente, enstendi a mão; ele não me reconheceu imediatamente: torpor do álcool, melhor para mim - sem defesas, sem armadura, sempre polida pela educação cavalheresca que tanto se faz notar.
"Passei o dia intero pensando em você", era verdade; tudo ali me lembrava ele. E quase como um desejo, estava ali.
"Quer se sentar no meu lugar ?"
Ele, mais magro, mais frescor na face; eu, mais bonito - reparou e disse depois, quando tomamos um café, para secretamente nos olharmos melhor. Meu coração batia mais acelerado; o levei até o carro, nos abraçamos. "Estou muito feliz por te ver".
Muito feliz mesmo.
O cheiro forte de seu perfume - um Versace - ficou nos meus braços, no meu peito; tinha que relaxar, fui pra livraria Cultura, peguei um CD e comecei a desenhar, até parar, até o braço cansar.
Na saída do prédio, ao fundo a música que assoviava nos últimos dois dias, sem parar: L’appuntamento - cantado por Ornella Vanoni. Meus olhos cheios dágua, aquele prédio parecia dizer que estou lugar certo, na hora adequada; que aqui é o meu lugar.
E nisso, não parei de sorrir até me deitar.