e(Xtra)mundo

Terra Paralela; nessa órbita fora desse mundo, dessa realidade, aonde vai parar esse vagabundo…

26

de
dezembro

flor

Acredito na renascença; dos espinhos, explode a flor em odor, beleza e simétrica harmonia.

 

O ciclo é contínuo, o uróboro não tem fim; ser muito impreciso faz perder o rumo, a liberdade confere apatia de saber que não há começo nem um fim.

A vida (sob muitos aspectos) parece sem sentido.

 

mas o que importa é o momento; sua flor e sua pétala. Não cabe aqui o porquê e pra quê - o que vale é sua preciosa presença.

Aqui, se quiser, a eternidade é dela.

26

de
dezembro

natalício

O bom do Natal são as surpresas; num momento que se acha que nada pode ser diferente do que já se sabe.

 

Considero esses últimos dias do ano um presente em paticular - de mim (ou do Mistério, de Deus - quem sabe) para mim mesmo. Uma emoção atrás da outra, pelos momentos, encontros, odores e olhares, pelo vento; agüenta coração.

 

Na celebração desse natal, recebi outro presente da mão de Fábio e Gabriel - dois grandes amigos, dois excelentes quadrinhistas - o livro Fun Home; uma auto-biografia feita em quadrinhos, que já a algum tempo namorava nas minhas visitas ocasionais às livrarias da cidade. Nele, a autora fala de sua conflitante relação familiar, mais especificamente com seu Pai, descrita de uma forma cheia de referências; maravilhosa de se ter, vale a pena ver seu desenho impecável, texto cheio de um humor sutil e inteligente - qualidades que eu adoro. Terminei de ler ainda há pouco; uma das obras que vai ficar um bom tempo rondando minha cabeça.

 

E como vou relê-lo algumas vezes, presença firme aqui embaixo do braço. Um companheiro de viagem.

26

de
dezembro

budista

Muitas vezes é preciso ser um verdadeiro mestre zen para tocar a vida; em qualquer lugar.

 

O meu é Tibetano.

24

de
dezembro

acidental

Casualmente nos encontramos; eu, supreso por te ver. Ele, confuso e meio aéreo, pela bebida sorvida entre amigos, ainda há pouco durante o almoço.

Postei-me a sua frente, enstendi a mão; ele não me reconheceu imediatamente: torpor do álcool, melhor para mim - sem defesas, sem armadura, sempre polida pela educação cavalheresca que tanto se faz notar.

"Passei o dia intero pensando em você", era verdade; tudo ali me lembrava ele. E quase como um desejo, estava ali.

"Quer se sentar no meu lugar ?"

Ele, mais magro, mais frescor na face; eu, mais bonito - reparou e disse depois, quando tomamos um café, para secretamente nos olharmos melhor. Meu coração batia mais acelerado; o levei até o carro, nos abraçamos. "Estou muito feliz por te ver".

Muito feliz mesmo.

O cheiro forte de seu perfume - um Versace - ficou nos meus braços, no meu peito; tinha que relaxar, fui pra livraria Cultura, peguei um CD e comecei a desenhar, até parar, até o braço cansar.

Na saída do prédio, ao fundo a música que assoviava nos últimos dois dias, sem parar: L’appuntamento - cantado por Ornella Vanoni. Meus olhos cheios dágua, aquele prédio parecia dizer que estou lugar certo, na hora adequada; que aqui é o meu lugar.

E nisso, não parei de sorrir até me deitar.

24

de
dezembro

LAppuntamento

Curiosidade sobre o tema; com tradução expontânea…

 

 

LAppuntamento - Ornella Vanoni

 

Ho sbagliato tante volte ormai che lo so già
Che oggi quasi certamente
Sto sbagliando su di te
Ma una volta in più che cosa può cambiare
Nella vita mia
Accettare questo strano appuntamento
È stata una pazzia
Sono triste tra la gente che mi sta
Passando accanto
Ma la nostalgia di rivedere te
È forte più del pianto
Questo sole accende sul mio volto
Un segno di speranza.
Sto aspettando quando ad un tratto ti vedrò
Spuntare in lontananza
Amore, fai presto, io non resisto
Se tu non arrivi non esisto
Non esisto, non esisto
È cambiato il tempo e sta piovendo
Ma resto ad aspettare
Non mimporta cosa il mondo può pensare
Io non me ne voglio andare.
Io mi guardo dentro e mi domando
Ma non sento niente
Sono solo un resto di speranza
Perduta tra la gente.amore è già tardi e non resisto
Se tu non arrivi non esisto
Non esisto, non esisto
Luci, macchine, vetrine, strade tutto quanto
Si confonde nella mente
La mia ombra si è stancata di seguirmi
Il giorno muore lentamente.
Non mi resta che tornare a casa mia
Alla mia triste vita
Questa vita che volevo dare a te
Lhai sbriciolata tra le dita.
Amore perdono ma non resisto
Adesso per sempre non esisto
Non esisto, non esisto

 

Mudar

Eu errei tantas vezes que já sei
Que hoje quase certamente
Estou errando com você
Mas mais uma vez o que pode mudar
Na minha vida
Aceitar este estranho encontro
Tem sido uma loucura.
São tristes as pessoas que estão
Passando por de mim
Mas a nostalgia de te ver de novo
É mais forte que o pranto
Este sol em meu rosto acende
Um sinal de esperança
Estou esperando o momento quando verei você
Surgindo à distância.
Amor, venha depressa, eu não resisto
Se você não chega eu não existo
Não existo, não existo.
O tempo mudou e está chovendo
Me resta esperar
Não me importa o que o mundo pode pensar
Eu não quero andar
Eu olho pra dentro de mim e me pergunto
Mas não sinto nada
Sou só um resto de esperança
Perdida entre as pessoas.
Amor, já é tarde e eu não resisto
Se você não chega eu não existo
Não existo, não existo.
Luzes, máquinas, vitrines, estradas, tudo que
Se confunde na mente
Minha sombra está cansada de me seguir
O dia morre lentamente.
Nada me resta a não ser voltar pra minha casa
Pra minha vida triste
Esta vida que eu quis dar a você
Escorreu pelos dedos.
Amor, me perdoe, mas não resisto
Agora para sempre eu não existo
Não existo, não existo.

19

de
dezembro

debujos

Chega;

quero cores, amores.

Tem muitas palavras, muito texto, muitas letras; assim, tudo fica cinza.

Não posso postar desenhos novos, então aqui vão alguns preferidos, que alguns já conheceram de outras eras.

                       

Outras terras paralelas; e eu, ainda entre elas.

19

de
dezembro

molhado

Chove muito aqui em São Paulo;

e eu nadando aqui por entre os carros…

19

de
dezembro

línguas

Você tem a língua ferina; só fala em metáforas.

 

Mal sabia meu pai que eu fazia para não dar na cara, evitar cizânia, dar ainda mais o que falar; ter cuidado muitas vezes pode ser desastroso. E se é culto para falar, o torpe de pouca fé não entende, e ressentido pelo risível acredita não poder revidar - pois a ele(s) tudo é confronto; ah…como a baixa auto-estima é tirana e cruel.

 

 

 

Mal sabia ele que o que via era nele - com os dele - era se afundarem no veneno caótico de suas mesquinhas palavras baixas, de tão pouco cardia; onde se confirma que os de horizonte estreito não conseguem ver o nascente e o poente fora da cela de suas visões pequenas.

19

de
dezembro

desejando


Meu corpo transpira
sonhando acordado
sendo quase real
crer estar do teu lado;
saber de teu texto
conjugando teus verbos
na minha língua molhada

de cor
e salteado

Infartando meu peito,
saindo dos eixos
mergulhado em teus beijos
suando de puro tesão;
e
ver você
tudo me diz,
quero poder
quero foder
quero lhe ter,
quero te amar.

18

de
dezembro

receita

Para o cara.

 

Muitos me descrevem como um sujeito que, apesar de atento, parece muitas vezes indiferente; principalmente a cantadas.

 

(de  verdade, por pura timidez)

 

Então aqui vai a dica: não precisa ser apolíneo; nem perfeito - isso muitas vezes é um defeito.

Esteja sentado a vontade, imerso no paginar de algum livro; sorria. Se estiver interessado, ao nos olharmos, continue sorrindo. Eu devolverei o seu com o meu (pois eu já estarei fazendo ao vê-lo assim); e quem sabe depois, uma boa conversa - simples, despretenciosa, o que tiver de rolar.

 

E o que tiver de ser, será.

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