18
de
novembro
situação delicada
Três tigres tristes;
três cobras criadas.
um déspota cheio de bravata;
um peixe fora d’água.
( e todos sabem o que acontece com um peixe nessa situação)
deus me ajude.
Três tigres tristes;
três cobras criadas.
um déspota cheio de bravata;
um peixe fora d’água.
( e todos sabem o que acontece com um peixe nessa situação)
deus me ajude.
Todo mundo já ouviu falar daquela história do sapo que, literalmente, se fode ao dar uma carona ao atravessar um rio para um escorpião; resposta do peçonhento é a célebre frase, diversas vezes repetida, "é a minha natureza"…enquanto ambos afundavam, e o sapo puto e surpreso indagando por que catzo ele havia sido picado pelho fdp do escorpião. Claro que já ouviu.
Faz parte de uma gama de parábolas (que o Esopo também pescou para as suas fábulas) do acervo mitológico indiano; Sutras e mais sutras - a mais famosa, o Kama (sutra significa manual em sânscrito) - e anos de história estão lá, complilando mais sabedoria e filosofia do que se pode imaginar. Acredito que se trata do maior acervo da civilização(?) humana, em todas as suas culturas.
Joseph Capbell também acreditava nisso; foi através (dos livros) dele que pude ver uma breve pincelada dessa coisa fascinante e maravilhosa que acaba resultando em arquétipos, filosofia, mitos e histórias. Para um sujeito que adora contos, desenhos e ilustrações, prato cheio.
- graças a deus que existiu alguém como Joseph Campbell -
E não falo do livro mais badalado, o Poder do Mito; Máscaras de Deus, em quatro extensos volumes é só uma dica para começar. O Herói de Mil Faces é uma outra obra, abrangente, que traça um panorama global sobre o assunto; ele começa com uma outra curiosa parábola, que como a do escorpião, também fala da verdadeira natureza dos seres.
Eu, particularmente, prefiro ela;
diz que um tigre recém-nascido era o único sobrevivente de uma cambada de mortos, fora pego para ser criado por cervos. E lá cresceu com eles, adotando seus costumes, sendo um herbívoro e chegando a crer que também era um.
Mais tarde, um tigre mais velho vem e ataca todos, mas ao deparar com aquela criatura esquisita, resolve ver que diabos está acontecendo; o dócil tigrezinho realmente acreditava ser um cervo, e de nada adiantava as afirmações contrárias de seu companheiro de espécie. Então, o mais velho rasga a carne sangrenta de um dos cervos mortos, e enfia um pedaço na bôca do mais novo; a reação - muitíssimo bem-narrada - é espantosa, todo o corpo do tigrezinho parece estremecer e sentindo uma força que jamais soubera antes, solta um rugido aterrador nos confins da floresta, anunciando a todos quem, de fato, ele era.
A lição que fica é que devemos saber quem realmente nós somos; e não necessariamente aquilo que acreditamos ser.
"Porque no te callas"
Sem tomar partido, definitivamente uma das - senão A - frase(s) do ano.
Dita por um Rei a um chefe de estado, futuro ditador, num encontro de políticos e burocratas. Não fosse esse episódio, que leigo ouviu falar de Cúpula Ibero-Americana ?
Nenhum roteirista conseguiria tal proeza.
E quantas vezes (muitas vezes ao dia) você não gostaria de dizer isso?
Gostar-se não é amar-se; seu umbigo não é o centro do universo.
Sujeitinho que acha que tudo é a mesma coisa tem sérios problemas de geometria.
E de geografia.
As falsas que me perdoem, mas as melhores risadas são as verdadeiras; tem calor de coisa gostosa quando acontecem, inconfundíveis.
Há de ser muito bom-humor para ver a mídia moderna, os experts, os achos, as coisas que se falam; "eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada"…yeah, yeah.
Caso sério é a publicidade; de fato, um outro universo paralelo. Existem preciosidades prá lá de irônicas, como a onda de todos apostarem no verde-ecologicamente-correto, em Bancos falando de ajuda social e carros sendo lançados falando que NÃO são poluentes; tentam te convencer até do contrário.
E creio que muitos acreditam nisso.
Uma das últimas que vi, que quase me matou de rir (!) foi o slogan:
"se você é alguém diferente, tenha um carro igual ao meu".
Numa propaganda que vai ao ar nesses dias; quem quiser prestar atenção, vai conferir essa preciosidade. Socorro.

Não subestime o valor das palavras; o poder que elas exercem em cada um de nós.
Pode mudar o humor, trazer tempestade ou calmaria. Alterar o dia de hoje, mudar a sua vida.
2001 é uma das três melhores coisas que vi nessa vida, até agora
(uma outra é a história em quadrinhos chamada Watchmen, onde todos esses elogios se aplicam); roteiro limpo, num filme raro, onde suas mais de duas horas - e até mesmo a sua chamada lentidão - se justificam. A história está ali para contar algo maior do que ela, verdades quase universais, e se pegarmos a onda no momento certo, somos convidados a compartilhar pensamentos acerca dessas coisas, de outras tantas. A pensar junto, refletir - e quem sabe, até filosofar.
Se quiser só ficar na história, tudo bem; muita coisa pode ficar em dúvida, sem problemas graves: é tão bem feita que passa.
Não li as suas continuações; não quero saber quem botou o monolito negro. A graça de histórias como essa, é que ela está ali e pronto. Ninguém fica perguntando por quê a Cinderella usou um sapatinho de cristal, que poderia quebrar, ou se realmente Aurora dormiu os exatos cem anos sem envelhecer.
(tem gente que não dá margem para a imaginação)
Nessa era de mega-exposição, os decotes deixaram de existir; a insinuação é praticamente inexistente. Tudo é óbvio, tudo é barulhento, na tentativa de mostrar e explicar mais e mais - sem, com isso, se fazer melhor entender.
Se o caso é de cinema, é o que mais se vê; acredito que seria impossível realizar um filme desses hoje em dia. Teria de responder a tanta coisa, que dificilmente sairia daquele jeito - e isso não teria nada a ver com o ritmo das gerações; tem sim, e vivo batendo nessa tecla, com a tal falada sensibilidade. Essa, tá rara de se ter.
Acho isso estranho;
sou o melhor no pior de mim.
Falo isso nos desenhos, é claro.

Vi isso algumas vezes, vale então à pena mostrar;
do rascunho ao final, a elaboração de um desenho.