e(Xtra)mundo

Terra Paralela; nessa órbita fora desse mundo, dessa realidade, aonde vai parar esse vagabundo…

31

de
outubro

clínico

Haja coração: pressão hoje chegou a dezessete por treze; quase outro infarto.

Carga viral abaixo de duzentos; baixo, muito baixo.

Quis pular pela janela. Olhava para rua e via um monte de carro. Pra cima, vejo um avião: vontade de sair daqui, em vários sentidos - não só do lugar. Não tem para onde ir, não tem lugar para habitar. Falei sério que não vejo futuro nesse meu presente, dói ter meu passado.

 

Isso aqui deveria ser chamado de diário de um soropositivo

(e olha que hoje não tô deprimido - e em ambos, agora devidamente clinicado).

31

de
outubro

Metrópolis

Se saudade tivesse um nome, hoje seria São Paulo.

30

de
outubro

Promoção

Mônica Veloso: de piranha à arroz-de-festa.

30

de
outubro

Celebridades

Copa do mundo no Brasil em 2014; big deal.

 

Um bando de gente no regabofe, pro anúncio da nada-novidade: Romário muito ensaiado, Paulo Coelho e a diferença de horas do futebol e o sexo pelado, presidente Lula e sua comitiva etilizada; gente tudo a ver, nesse mundinho afetado-globalizado.

 

Pergunta: Cadê Pelé ?

30

de
outubro

Colunistas

Que Diogo Mainardi, que nada…

Quando cai uma revista Veja nas minhas mãos, vou direto ver o que o Millôr escreveu.

 

É um alívio ver as idéias tão bem colocadas, bem-sacadas, bem-humoradas que destilam inteligência aos montes; um frescor nesse tempo quente e abafado onde existe um bando de gente querendo marquetar, se dizendo o tal. Deus o abençoe por (ainda) existir alguém assim.

30

de
outubro

Relatividade

Fala-se sempre entre a diferença do bambu e do carvalho;

velha sabedoria chienesa, diz que um difere do outro em seu volume e forma, na ostensividade de um contra a simplicidade do outro.

 

Mas basta uma tempestade de chuva torrencial para derrubar o carvalho do chão, arrancando suas enormes raízes e pondo um fim na sua majestosidade. Já o bambu, com sua flexibilidade, suporta toda essa fúria, pendendo ora para um lado, ora para o outro; resistindo, enfim, àquilo que o carvalho não poderia.

 

 

Mas penso aqui uma coisa: vem um urso Panda, daqueles que todo mundo revira os olhinhos dizendo "óóóóóoó, coisinha fofa…", passa pelo carvalho, nada; diante do bambu, causa um estrago. Acaba com todos, os dali e os que estiverem próximos da região.

 

 

E não só eles; tem outras pragas, formigas, insetos. Qualquer um com serra, até para fazer um foguinho. O bambu vai fácil, fácil. Difícil ali, é serrar um carvalho.

 

 

 

Então não é oito, nem oitenta; a ocasião é que faz o ladrão, e dizer que um é melhor que o outro, nóis não agüenta.

 

29

de
outubro

Poema em Linha Reta

Para não ficar só em palavras minhas;

viva a arte, expressa pura poesia.

 

 

 

de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

29

de
outubro

do corredor

Queima, como disse; e das cinzas, vim e voltei tantas e tantas vezes, que já cansei.

Mas acho que existam muitos remendos, cicatrizes que tornam o final diferente do original; já não sou mais o mesmo.

 

O corredor que disse um dia, muitas vezes é turvo; insisto para abrir portas e janelas, para que a claridade possa entrar. Mas vem um vento e bate, fecha e enclausura. Muitas vezes a chave na porta cai; e arrumar um modo de abrí-las muitas vezes pode ser bem difícil. Já acreditei que essas portas e janelas, invariavelmente, sempre se abririam. Sempre.

 

Hoje já não tenho mais certeza disso; não tenho mais certeza de nada.

 

E na espreita, o demônio do meio-dia (e da meia-noite) escapa; cria um buraco negro que tudo arrasta. Que me traga; esmaga planetas, estrelas, deixando o vácuo, nada. Fico pensando por que é assim, pois se tudo acaba, ele também deixa de existir.

 

Mas talvez seja por isso; pra sossegar sua natureza, somente a não-existência. Vai ver assim a turbulência pára, o grito cala e a dor (que é muito grande) não fica mais aqui.

28

de
outubro

Drink

Me, drunk.

 

e a vontade de dizer: hey, você é um babaca. Quero te esmurrar na cara. Não, nunca fui  afim de você; não, eu não queria aparecer…Não, não, nãos; você entendeu tudo errado, sou um menor abandonado; queria você do meu lado, tenho coragem de fazer, depois que eu fiz e você ? Te beijei e não era nada, desculpe (sorry), não era pra esse lado, teu charme não era teu cabelo ondulado,  tua roupa cara não te faz mais gato… e por aí vai.

 

tanta coisa que eu te queria dizer e eu, com o coração enfartado.

(eu bêbado queria dizer tanta coisa…)

26

de
outubro

herói ?!

Facistóides de plantão: não vou discordar.

Tropa de Elite é um filme muito bom; não é lá uma obra-prima, mas é realmente muito bom.

 

 

Porque entre outras coisas, retrata e põe corajosamente o dedo em questões cruéis de nossa realidade; sucita debates e discussões, acaloradas pelo que tenho visto.

 

E os problemas existem, exigem urgência na solução (se é que há possibilidade de alguma). Mas problema maior ainda é fazer o Capitão Nascimento, o personagem de Wagner Moura, um herói nacional; isso, de fato, é um grande perigo.

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