e(Xtra)mundo

Terra Paralela; nessa órbita fora desse mundo, dessa realidade, aonde vai parar esse vagabundo…

30

de
agosto

Matamata

Olhando o horizonte, proferiu as palavras que tinha;

não pensou muito quando ergueu o desnudo pé direito, e num gesto marcial preciso, esmagou então a serpente que jazia sob ele.

 

Com os olhos cheios d’água, lentamente caminhou para frente; "é assim que tem de ser", suspirou. E quis carregar consigo, certeza em seu coração, que aquele veneno ficaria para trás.

27

de
agosto

Éden Perdido

Da voz Eulália-panáfrica; versão traduzida, fonte Ygdrazil.

 

"Vivemos no Éden; aqui, esse planeta, suas florestas, suas marés, seus ares. Tudo; esse globo azul que acompanha a Lua. Aqui é o jardim do Éden.

 

O não explicado, lembrado, é que o jardim criado, de onde se veriam delícias nas árvores, arbustos e nas matas, de tamanhas benesses e diversidades, seria não outro senão aqui mesmo. Não poderia haver noutro lugar.

 

Um provável deus(es), cultivador dessa enorme agronomia, teria(m) se aborrecido de sua criação mais próxima, o bicho-humano, que diante de sua insurreição incômoda, pegaram suas aves para que suas asas o(s) levasse para longe. Era ele (ou eles) o jardineiro desse enorme jardim.

 

Ainda que inicialmente preparados para ainda zelar pelo sagrado patrimônio sem a presença desse(s) deus(es), o tempo inexorável fez com que se perdesse inicialmente detalhes, mais tarde lições inteiras, mais tarde tornando toda sabedoria algo frágil e de divergências em sua leitura e interpretação.

 

Começaram aí as primeiras cismas e divisões - muitas vezes fatais e sangrentas - entre os colonos humanos; raízes do conflito tardio da transição do matriarcado para o patriarcado teriam começado nessa era. Começou-se aí a se desenhar os primeiros mapas da intervenção e planejamento de todas essas tribos, vindas mais tarde a ser conhecida como o Acordo dos Clãs (noutras línguas, Famílias), e os futuros planos do Projeto de Arquitetura do Mundo.

 

O que se vê no (curioso)  período de ascenção do Pensamento Virtual Global - finais do séc XIX, séc XX e XXI -, é uma tentativa (articulada ou não) a um resgate de condições idílicas que já se foram há muito. Preocupações relativas às condições de ambiente se mostraram eficientes para a virada econômica dos bens não-renováveis, onde seria impingida a idéia-lei que todo cidadão deveia arcar economicamente com o débito no consumo de ar para respirar e água para sua subsistência.

 

A retórica, e sim - o grande problema -, é que o jardim estava bem aí, e não soubemos mantê-lo num modo civilizado, e fazendo juz a nossa alcunha, sapiente.

 

Quase numa paródia cíclica do texto judaico-cristão da expulsão do Paraíso, é que como Adão e Eva, instantes após sua expulção, passamos tempo lamentando pelo evento ocorrido há centena de milhões de anos, enquanto nada fazíamos enquanto tudo se desfazia diante de nossos olhos.

 

O mais irônico é que, curiosamente, beneficiada sai a Serpente do (eterno) Lucro…

27

de
agosto

Acerca do Povo

Se são tão felizes, por que bebem tanto?

26

de
agosto

Argumentos da Vaidade

Na Terra vinte-e-cinco-régia-onze;

 

Na sala quadrada de comemorações, um grupo de celebrantes era observado por um Singular de nome Sayadhin, também presente para algum tipo de evento ali acontecido.

Envolto nele, uma etérea entidade que mais ninguém via, se entrelaçava nele com seus braços, como uma cobra, e em seu pescoço e braços. De rosto colado ao seu, sussurrava junto ao seu ouvido palavras ácidas e maliciosas, sibilando em seu sarcasmo as coisas que geralmente ninguém (diz que) vê nesses e em quase todos os lugares.

Não era o caso dela; nem o de Sayadhin.

 

"Não vê que está em todo lado, em todos os olhares?" Perguntava quase rindo, ora jogando a cabeça para trás, sacudindo seus revoltos cabelos cor-de-violeta, se apertando ainda mais junto a ele;"sente? esse perfume pairando no ar, no hiato do gesticular das mãos, no brilho e na direção dos sorrisos, na intenção nada casual de cada vontade…?".

"sou necessária" dizia, como que justificando seu próprio nome: Vaidade; "estou em todo lugar"…

"Você não é real", respondeu secamente seu antagonista, calmamente virando seu rosto e encarando-a direto em seu olhar.

"Mas"ela insistia," estou presente em todos os atos de qualquer ser humano; coisas aconteceram por causa disso. Fez-se o mundo, criaram-se civilizações, mundos foram destruídos e substituídos no caminhar da evolução do homem. Não sou boa nem má…", e sorria de modo malicioso "não tem como julgar o mérito de minhas ações, estou acima do julgamento do bem e do mal…"

 

Ele continuava a encarar como se não tivesse palavras para contra-argumentar.

Via o pequeno grupo de pessoas que se reunia ali; os que ali celebravam, seus conhecidos, juntavam tal pretexto ao orgulho do projeto conquistado, do objetivo conseguido. Mais; via na camisa exótica do barrigudinho, querendo-se estilizar num rapaz moderninho perante a variada vaidade masculina abundante em todos os homens na sala, no salto da ruiva que usava preto. Na garçonte servindo o drink para o menino, no gargalo do copo da velha, no senhor que insistia em falar mais alto que todos; no pai olhando as amigas da filha, do entediado apresentador da palestra que coçava o desavisado dedo, no vestido (e brincos) da babá que estava ali para acompanhar o filho de algum casal que vaidosamente se mostravam juntos, nos sorrisos que quase convenceriam um…Nas pessoas querendo aparecer, nos outros que queria conhecer. Em todos. Todos.

 

"E não é só na esfera do bicho-homem que estou presente, seu animal…", continuava.

"A própria mãe natureza me tem como aliada e sou presente na plumagem dos bichos, no canto dos seres, na altura das árvores. Na cor, no vento, na terra e no fogo; e no espaço. Posso estar presente no alto, no éter, no brilho de cada estrela".

 

E voltando a contemplar o grupo, rejubilava-se:" eu sou soberana; sou eterna. Não tente medir meu tamanho, pois não teria como. Estarei presente até mesmo em você, nos seus olhos, nesse seu coração partido e orgulho ferido".

 

E com uma silenciosa fúria, o Sayadhin rangeu os dentes fitando incisivo o olhar daquela que o zombava:

"Creio que é você que não entendeu o que disse;"

 

 " Você não é real".

 

 e continuou, "Não adianta estar presente em todas esses quadrantes, esferas, dar a proporção que quiser dar; mas de fato, na realidade é pura ilusão".

 

A criatura se estremeceu.

 

"Por que nesses momentos", continuou," faz-se crer eterna e permanente. Mas não é isso, é apenas um momento, um ponto, um pó na transitoriedade das coisas, nada permanente; sua afirmação de eternidade é falsa".

 

"Acreditar-se tão plena é uma inverdade e é ser cruel, pois ao deparar-se com o efêmero, o que se comprova é a mentira. Então agora, neste momento que aparenta ser tão sedutora e lasciva, de cabelos cor-de-violeta, de madeixas vivas como serpentes, e com o corpo e braços sinuosos e sedutores, mostra-se nesse mesmo hálito quente e venenoso tratar-se duma maldosa e cruel armadilha; uma ingrata mentira,

e falsa".

 

"De verdade, para os que não puderem ver tanta beleza articulada, algo decrépito e apodrecido".

 

Depois determinou:

 

"Vai embora: não lhe pertenço mais".

 

E assim, num grito seco e num piscar de olhos, ela se dissipa como fumaça.

25

de
agosto

Dialética Geométrica

Um astrônomo me explicou que no significado da palavra "Universo" estariam incluídos todas as possibilidades existentes, num único conjunto que abrigaria todas as coisas; outras pessoas o definiriam como "Omniverso". Daria tudo na mesma.

 

Não importa muito.

Mas quando a gente aprende que duas retas são paralelas, e só se encontrarão no Infinito, isso não significa que seria "nunca, em nenhum lugar", o cruzamento de uma se daria com a outra…

 

No Universo conhecido (ou não), está implícito em todas as suas probabilidades, existe então até mesmo o Infinito.

 

Em outras palavras, em algum lugar do Universo, duas retas (paralelas) desacreditadas nessa nossa esfera, se cruzam num encontro. E o nome desse lugar é Infinito.

 

 

Pegou?

20

de
agosto

Musicaos

Esse é da Criação em Som (o Verbo); seria o universo o resultado de uma variação das notas reverberadas durante seu início, onde todos os seus elementos seriam um resultado dessa propagação (?) do som.

 

Seria o deus-que-dorme o agente (instrumento) musical; ou o sonhar.

 

Explicaria as diversas sintonias entre elementos, fusões e rompimentos, nas diversas reações exitentes em todas as suas esferas, partículas e eras. No macro e microcosmo, obedecendo a uma espécie de palheta, ou partitura, mas de difícil modo de percepção humana (devido a seu singular espaço diante de toas as coisas), no entanto vê-se tentativas diversas de (re)interpretação - e até possível identificação - no decorrer de sua história e Sensibilidade.

Alimentaria e explicaria sensações da alma desses seres, intuições, inspirações, mantendo conexão direta ao que refere ao Campo dos Sonhos (por tratar-se do mesmo tipo de "elemento").

 

Verbo é mais do que palavra: é puro Som.

 

18

de
agosto

Panteão

Que dizer de um mundo assim?

Mitos primitivos, em todas as histórias antigas do mundo falam sempre em suas origens, o que teriam dois Panteões (!) de deuses, um sucedâneo do outro, muitas vezes indo parar em algum tipo de disputa no decorrer de sua coexistência, muitas vezes de ordem bélica, para preservação e amnunteção desses.

No decorrer do tempo…Vamos supor uma paralelidade; uma outra evolução e história:

 

Indo a suas bases arquetípicas, projetando-se sua redundância através das diversas possibilidades realizáveis, veria-se uma evolução natural - e realista - acerca de suas próprias histórias com a de nossa própria.

 

"E como seria aliar a fantasia à realidade concreta" ?

A colocação da sobreposição de uma, consignada pela outra. Como dois mozaicos que se fundem, dando origem a um terceiro, de teor mais encorrpado, numa nova imagem. Um exemplo disso seria essa curiosa definição constatada de que, embora onipotentes, deuses fazem parecer precisar de um séquito de adoradores (na mitologia judaico-cristã, onde o existe o famoso episódio do duelo verbal no início de Jó é um exemplo disso); e a forma moderna (após a ascenção definitiva dos ideais iluministas) disso acontecer, o exercício desse poder, é mais eficiente e pleno através do meio financeiro.

 

Durante o crepúsculo do politeísmo, um acordo (ainda não narrado) teria sido firmado entre eles e o agente-pilar desse braço econômico, em franca ascenção - será a Serpente (citando Nietzsche ?), ou outra personificação -, mantendo-os existentes durante todas as eras de profundas transformações. Dessa vez, de modo aparentemente discreto.

 

Seria, de um modo pejorativo, assignar  (por exemplo) Afrodite ainda presente nas sociedades modernas, influenciando e exercitando suas capacidades no ganho de montanhas de lucros e conduzindo todo um braço, de poderio incalculável, da industria e mídia de cosmética dos séculos 19 a 22 da era cristã; além de outras participações essenciais na confecção de canções, melodias e singles, roteiros e outros produtos de consumo em massa de cunho irrefreável.

 

E as Oito Famílias seriam consentidas para o andamento do plano de Arquitetura do Mundo.

 

Mas isso é uma outra história…

17

de
agosto

Calçadas

Andando por aí:

Em São Paulo, nas ruas vê-se os Populares; em Brasília, os Vulgares.

(sério)…

17

de
agosto

ViDamina

Definitivamente, Bom-Humor - um sacrossanto remédio que ajuda a aprender as coisas - é essencial para a permanência (e sobrevivência) de um coração desatinado; melhor forma, impossível, de lhe conferir sabedoria e paciência para os altos e baixos da montanha-russa da vida.

 

E para encarar com certa malícia as estranhas simetrias que vira e mexe se avistam no navegar dessas marés.

16

de
agosto

Prateleira

Não sei por que tanto nome; nem por que de tanta definição.

Deixar claro quem sou, dizer com quem você dorme, não significa que tenho de usar calça justa, desmunhecar e rebolar. Nunca fiz isso, não sinto que devo fazê-lo. Mas vem alguèm e diz, "mas você não leva jeito…"

Para quê, meu deus ?

Pra não ser o que sou ? Mas que mundo estranho…

Verbos estão engasgados, os adjetivos embaralhados. Feminilidade é uma coisa; Sensibilidade, outra. Vi gente falar que Homem precisa de Mulher para ser sensível…(risos)…Lembrei o cara que existem zilhões de galerias e museus de arte que contém em seu acervo, em sua maioria (e por razões diversas), obras frutificadas da sensibilidade masculina. Só para lembrar…

Já vi mulher insensível; aos montes.

Sensibilidade é coisa de ser humano; e Ser Humano está ficando esquisito. Muita Insensibilidade. Creio ser por isso que nêgo pega tão fácil os verbetes, nomes, manias da moda, na ilha de Caras.

E olha que tem a sua disposiçao quilhões de formas de aumentar sua informação. Não seria essa uma vantagem de se ter a tal da World Wired Web ? E por que só aumentam os silicones e os anabolizantes ?

Homossexual, heterossexual,bissexual, pansexual - e olha que a coisa ia até aí até pouco tempo atrás, deixando muita gente com nó na cabeça. Principalmente por que tem aqueles que insistem em dizer que é A com B, só para o casamento, o resto é coisa do Mizifi…

Hoje já tem Metrossexual, MetropolitanoDesabandonoBuraco,UbberNãoSeiFalarAlemão,Emmo, EmmoSuicida, Lésbica, LésbicaFeminina, LésbicaFãdeAnaCarolina, Transgênero, Transamérica, Transloucado, SuziemTrans, e por aí vai.

Tá todo mundo satisfeito ?

Não tô vendo não. E olha que tô fazendo esforço.

Lembra quando se comprava extrato de tomate para fazer o molho do macarrão ? Antes era só ir no mercado, e pronto. Agora não, é uma confusão. Tem molho disso, daquilo, daquilo com aquele treco, aquele treco salpicado com aquele pozinho, o verdinho que você gosta, o verdinho que você não gosta…Já viu quantos ?

Sabe o mais engraçado ?

Nem por isso come-se iguaria em todos os lugares que a gente vai. Continua sendo a refeição boa ou não, e ponto.

A gente ficou parecendo isso: todo mundo pode, todo mundo é. Mas nem por isso parece tapar o buraco que nos pertuba desde que a gente se entende por gente. Nesses dias estranhos do século 21, a gente mais tá parecendo produto enlatado em prateleira de supermecado…

Eu hein !?…

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